Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

DOENÇAS DO LENHO DA VIDEIRA

As doenças do lenho da videira são um grave problema fitossanitário que existe em todas as zonas vitivinícolas do país e do mundo. A revista de origem francesa Phytoma coloca frequentemente na sua capa referências a estas doenças e no seu interior possui extensos artigos sobre as mesmas.

 

As doenças do lenho da videira mais conhecidas são a eutipiose e a esca. Estas doenças atacam vinhas jovens e adultas, viveiros e campos de pés-mães.

 

A eutipiose é causada pelo fungo Eutypa lata que ataca também outras espécies de fruteiras como por exemplo a ameixieira e o damasqueiro. O fungo penetra nas plantas através das feridas resultantes da poda. A sua incidência é elevada em regiões onde a precipitação média anual é superior a 600 mm e em climas temperados.

 

É uma doença de evolução lenta, em que a gravidade dos sintomas aumenta de ano para ano. A morte do ramo atacado ou da cepa ocorre 3 a 5 anos após o aparecimento dos primeiros sintomas.

 

Os jovens rebentos infectados são mais pequenos, com entre-nós curtos e regulares e cloróticos. Numa fase mais avançada da doença, os pâmpanos ficam reduzidos a alguns centímetros, apresentam uma coloração avermelhada e, por vezes, ficam desprovidos de folhas (fig.1).

Figura 1

As folhas jovens são, em geral, mais pequenas que o normal, apresentam-se cloróticas e adquirem a forma de taça. Frequentemente, desenvolvem pequenas manchas necróticas e as margens ficam esfarrapadas. Nos casos mais graves, as necroses marginais podem estender-se a todo o limbo, provocando a seca e queda das folhas.

As inflorescências têm aspecto quase normal até à floração, altura em que secam completamente ou sofrem forte desavinho.

O corte transversal do tronco ou do ramo atacado mostra uma zona necrosada em forma de cunha ou triangular cuja madeira morta é acastanhada, dura e quebradiça (figs.2 - 3).

Figura 2

Figura 3

A esca é provocada por um complexo ou associação de fungos, entre os quais se destacam Phaeoacremonium aleophylum e Phaemoniella chlamydospora. Esta doença pode ser tão antiga como a própria cultura da vinha. Já no tempo dos Gregos e dos Romanos existiam referências a sintomas semelhantes aos provocados pela esca (Mugnai et al., 1999).

 

Trata-se de uma doença complexa, cujos sintomas resultam de alterações estruturais e fisiológicas da planta. Esses sintomas podem ser de dois tipos: agudos ou crónicos. Na forma aguda da doença, também chamada de apoplexia (fig. 4), toda a planta murcha e seca repentinamente (Larignon, 2004; Mugnai et al., 1999). Os sintomas da forma crónica ou lenta manifestam-se no interior do tronco ou ramos maiores, nos rebentos e ramos mais pequenos, nas folhas e nos cachos (figs. 4, 5, 6 e 7).

Figura 4

 

 

Figura 5

 

Figura 6

 

Figura 7

 

É necessário alertar para o facto de alguns dos sintomas atrás referidos não serem específicos destas doenças. Podem ser consequência de problemas fisiológicos, como a carência de magnésio ou o stress hídrico extremo. No caso particular da morte repentina das videiras (apoplexia), a sua origem pode ser devida ao fungo Armillaria mellea.

 

Actualmente, a melhor forma de combater e evitar estas doenças consiste na adopção das seguintes medidas preventivas:

 

1.     Utilização de material de propagação vegetativa certificado

2.     Eliminar todos os restos de raízes e plantas em terrenos destinados a novas plantações

3.     Realização de podas o mais tarde possível e em tempo seco e sem vento

4.     Podar as cepas doentes em último lugar

5.     Retirar do terreno todas as plantas doentes e restos de podas, queimando-os logo de seguida

6.     Evitar tanto quanto possível cortes com grandes superfícies

7.     Desinfectar e proteger os cortes de maior superfície com unguentos de enxertia

8.     Desinfectar o material de poda (tesouras) sempre que se mude de planta com lixívia a 5%

9.     Sempre que possível utilizar tesouras com dispositivos automáticos de distribuição de fungicidas e/ou desinfectante

 

O tratamento químico preconizado contra estas doenças é a aplicação de um produto à base de carbendazime+flusilazol (ESCUDO) sobre as feridas e cortes de maiores dimensões. Este tratamento preventivo, deverá ser efectuado com tempo seco, com a vinha no estado de repouso vegetativo e directamente sobre as feridas da poda, sem qualquer diluição.

 

 

Nos Açores as doenças do lenho da videira não são um problema novo nem actual, em especial na ilha do Pico. A Direcção de Serviços de Agricultura e Pecuária e o Serviço de Desenvolvimento Agrário do Pico, em particular, conhecem bem o problema e ao longo do tempo têm vindo a alertar e a informar os viticultores a não utilizar material de propagação vegetativa de videira (estacas ou varas, porta-enxertos e plantas já enxertadas) não certificado, que aliás é proibido por lei (Decreto-Lei n.º 194/2006, de 27 de Setembro, que regula a produção, controlo, certificação e comercialização de materiais de propagação vegetativa de videira).

 

publicado por Baco às 16:43
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