Domingo, 24 de Fevereiro de 2008

Novo Vinho do Porto - CROFT PINK

Churchill não beberia este vinho

Um Porto é para beber em horas solenes com poses hirtas e gestos comedidos, certo? Errado, e agora mais que nunca: na semana passada nasceu o Porto Pink, um rosé, para beber frio. Os puristas indignaram-se e chamam-lhe Ponk; os outros dizem apenas: porque não? Uma polémica para servir com gelo.

Para muitos é uma heresia. Outros falam em cedência. Alguns prenunciam o princípio do fim de um mito feito de solenidade e dos bons modos da aristocracia. Há quem diga que não, que já é tempo de acabar com a associação a imagens como a dos três velhotes sisudos. Há quem respire de alívio por ter surgido uma inovação no sector, quase meio século depois do nascimento do Late Bottled Vintage (LBV). A notícia do momento no circunspecto mundo do vinho do Porto carrega o peso de um vinho ligth e o dramatismo do cor-de-rosa.

A Croft, uma das mais antigas e emblemáticas empresas do sector (foi fundada no Porto em 1678) lançou há uns meses no Reino Unido o Porto Pink, um rosé muito doce e aromático, e na semana passada repetiu a ousadia em pleno coração do entreposto de Gaia.

De imediato, as hostes inquietaram-se. Os jornalistas britânicos da especialidade torceram, na sua maioria, o nariz. O site fortheloveofport.com registou dezenas de comentários militantes, na sua grande maioria ácidos para o modernismo. "Não faz o meu estilo. Precisa de mais cor e extracção para equilibrar o álcool", escreveu um tal Derek, de Inglaterra. "Uma péssima ideia sob todos pontos de vista", continuou Botbol Moses, de Boston, Estados Unidos. Outros, ainda mais extremados, inventaram a palavra Ponk para minar qualquer pretensa seriedade do Port Pink.

Para a Croft, uma das empresas do universo The Fladgate Partnership (que inclui a Taylor"s, a Fonseca e, entre outras, a Delaforce), a ideia não foi, porém, ir ao encontro do "estilo" dos zelosos da tradição, como são os que frequentam o fortheloveofport.com. Adrian Bridge, director da Fladgate, quer outro segmento do mercado. O das mulheres, por exemplo. O dos jovens também. Para o conseguir, explica, a Croft teve de lançar mãos à imaginação e lançar um produto novo para todos "aqueles que valorizam uma nova experiência no mundo do vinho do Porto". Um vinho que não exigisse copos Riedl ou cálices com a assinatura de Siza Vieira. Que não requeresse momentos especiais. Que, como o Portonic (mistura de porto branco com água tónica), pudesse ser servido com gelo, em alternativa a uma vodka ou a um whisky, numa festa de aniversário ou numa discoteca. Um vinho que, de algum modo, dessacralizasse a imagem do vinho do Porto e recuperasse um pouco da volúpia que fez furor há umas décadas, quando a Ramos-Pinto lançou uma campanha publicitária com mulheres seminuas e em poses insinuantes a apelarem à "tentação" - não foi por acaso que, em Portugal, o Pink chegou às garrafeiras no dia dos namorados.

Esta história que anima o debate sobre a identidade do vinho do Porto (rigorosamente, o que é, de onde vem, para onde vai...) começou há três anos. David Guimaraens (não, não é erro de grafia, o nome escreve-se como se escrevia no século XIX, quando o seu antepassado Manuel Pedro Guimaraens, um liberal do Porto, fugiu às perseguições miguelistas instalando-se em Londres), o enólogo da casa, foi incumbido de criar algo de novo. A invenção de um Porto com chocolate, ou com canela, ainda foi tentada, mas jamais a ortodoxia do Instituto dos Vinhos do Porto e Douro, a entidade reguladora do sector, toleraria semelhante alquimia. David optou então pelo rosé, seguindo uma "abordagem semelhante à que é adoptada quando se produz um vinho branco frutado". Esmagou as uvas, prensou-as ligeiramente, decantou o mosto a frio para ficar limpo de sólidos, acrescentou-lhe leveduras seleccionadas para uma fermentação a baixas temperaturas, refrescou a aguardente para o momento da beneficiação. Depois de vários ensaios e de vários protótipos, definiu a fórmula, convenceu o IVDP a certificar os processos e a enquadrar o produto nas categorias de vinho do Porto existentes e, finalmente, nasceu o Porto Pink.

Como é óbvio, o Pink não é catalogável à luz dos inventários existentes. Não é vintage, nem LBV, nem branco, nem tawny, nem um 10, 20 ou 30 anos. Para o inscrever na família, a Croft teve de vencer uma primeira barreira: em que categoria de vinho do Porto se mete o Pink? Com um pouco de generosidade, acabou por ser um ruby, embora como o seu nome indica, seja um pink e não um ruby. "É importante que o vinho do Porto seja uma actividade aberta à mudança e à inovação", explica Jorge Monteiro, presidente do IVDP, o homem que teve de encontrar brechas na regulamentação para que o Pink pudesse ser um Porto. Muitos produtores resmungam com tamanha abertura de um organismo público que, por tradição, não olha a meios para impor a ortodoxia e o classicismo do vinho do Porto. O que estava agora em causa, porém, não era uma mera certificação de um lote ou outro: era um plano que, se correr bem, pode ser um tónico para o sector. Como troca para a complacência, os dirigentes do instituto insistiram na necessidade de se fixar um bom preço e gostaram de saber que o Port Pink se vende em Londres a 10 euros por garrafa, o triplo do que vale um vinho da gama inferior do vinho do Porto.

Ainda é cedo para se saber se a aposta da Croft está ganha. À partida, as condições eram favoráveis. Os homens da Fladgate gostam de fazer coisas bem feitas (os seus vintages ficam sempre acima dos 92/94 pontos nas grandes revistas mundiais da especialidade e, em 1994, conquistaram até 100 pontos em 100). Gostam também de experimentar coisas novas, desde vinhas desenhadas com recurso a raios laser que ganharam prémios mundiais na área da viticultura, a vinhos biológicos que estão a ser bem aceites pelos consumidores. Falta no entanto o teste dos consumidores que, para já, parece estar a correr bem. "Há muitas cadeias de distribuição interessadas no produto", diz Albino Jorge, administrador da Romariz, uma das empresas do grupo Fladgate. Resta saber se o impacte da novidade (e do marketing) será suficiente para escoar os 400 mil litros de Pink produzidos este ano.
Enquanto se segue de perto o fluir dos mercados, no universo dos apreciadores o que conta é a troca de argumentos entre ortodoxos e, digamos, liberais. O espectro da discussão é amplo e, obviamente, delicioso. Se o vinho do Porto pode ser jovem e ruby, se lhe ficam bem as tonalidades douradas dos tawny, as cores violáceas dos jovens vintage ou até os reflexos esverdeados de um vinho muito, muito velho, porque não Pink? Porque há-de o vinho do Porto ser apenas aperitivo em França ou na Bélgica, ou vinho de sobremesa em Inglaterra ou nos Estados Unidos? Se nos anos 20 e 30 os operários britânicos se habituaram a misturar Porto com Ginger Ale e sumo de limão, se é moda combinar branco seco com água tónica, porque não tolerar um pouco de gelo num Porto rosé?

Talvez as dúvidas não considerem um facto indiscutível: apesar da tradição que hoje é uma das marcas (e uma das ameaças?) do negócio, os agentes económicos do sector, do Porto ou do Douro ou de Londres, sempre estiveram na vanguarda da viticultura e enologia mundiais. O vinho do Porto deu origem à primeira região demarcada e regulamentada do mundo; foi dos primeiros vinhos a aproveitar a evolução da garrafa para aproveitar o envelhecimento em ambientes redutores; foi um dos primeiros vinhos globais da História; foi pioneiro no marketing, na rotulagem, na menção das quintas de origem, na indicação da data da colheita como critério de avaliação, foi inventivo da evolução enológica ou na definição de novas categorias.

O Pink nasce nessa continuidade e, como todas as rupturas, foi objecto de devoção e de ira. Talvez os apreciadores de um vintage clássico com 20 ou 30 anos de garrafeira o consigam provar apenas e se esquecerem que é um vinho do Porto. Porque é difícil meter no mesmo saco um dos vinhos mais intensos e complexos do planeta com um vinho ligeiro por definição. Outros, porém, talvez possam cair na tentação de uma cor mais jovial e fresca e consumir Porto (ou Pink) pela primeira vez. Num cálice convencional, por exemplo. Mas para que não haja dúvidas, o melhor mesmo é separar as águas e experimentá-lo num copo alto. Com umas boas pedras de gelo. Afinal, um Porto é um Porto, um pink é um pink, embora agora também haja um Porto pink .

 

 

Manuel Carvalho | Público | 18-02-2008

publicado por Baco às 00:27
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Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

DOENÇAS DO LENHO DA VIDEIRA

As doenças do lenho da videira são um grave problema fitossanitário que existe em todas as zonas vitivinícolas do país e do mundo. A revista de origem francesa Phytoma coloca frequentemente na sua capa referências a estas doenças e no seu interior possui extensos artigos sobre as mesmas.

 

As doenças do lenho da videira mais conhecidas são a eutipiose e a esca. Estas doenças atacam vinhas jovens e adultas, viveiros e campos de pés-mães.

 

A eutipiose é causada pelo fungo Eutypa lata que ataca também outras espécies de fruteiras como por exemplo a ameixieira e o damasqueiro. O fungo penetra nas plantas através das feridas resultantes da poda. A sua incidência é elevada em regiões onde a precipitação média anual é superior a 600 mm e em climas temperados.

 

É uma doença de evolução lenta, em que a gravidade dos sintomas aumenta de ano para ano. A morte do ramo atacado ou da cepa ocorre 3 a 5 anos após o aparecimento dos primeiros sintomas.

 

Os jovens rebentos infectados são mais pequenos, com entre-nós curtos e regulares e cloróticos. Numa fase mais avançada da doença, os pâmpanos ficam reduzidos a alguns centímetros, apresentam uma coloração avermelhada e, por vezes, ficam desprovidos de folhas (fig.1).

Figura 1

As folhas jovens são, em geral, mais pequenas que o normal, apresentam-se cloróticas e adquirem a forma de taça. Frequentemente, desenvolvem pequenas manchas necróticas e as margens ficam esfarrapadas. Nos casos mais graves, as necroses marginais podem estender-se a todo o limbo, provocando a seca e queda das folhas.

As inflorescências têm aspecto quase normal até à floração, altura em que secam completamente ou sofrem forte desavinho.

O corte transversal do tronco ou do ramo atacado mostra uma zona necrosada em forma de cunha ou triangular cuja madeira morta é acastanhada, dura e quebradiça (figs.2 - 3).

Figura 2

Figura 3

A esca é provocada por um complexo ou associação de fungos, entre os quais se destacam Phaeoacremonium aleophylum e Phaemoniella chlamydospora. Esta doença pode ser tão antiga como a própria cultura da vinha. Já no tempo dos Gregos e dos Romanos existiam referências a sintomas semelhantes aos provocados pela esca (Mugnai et al., 1999).

 

Trata-se de uma doença complexa, cujos sintomas resultam de alterações estruturais e fisiológicas da planta. Esses sintomas podem ser de dois tipos: agudos ou crónicos. Na forma aguda da doença, também chamada de apoplexia (fig. 4), toda a planta murcha e seca repentinamente (Larignon, 2004; Mugnai et al., 1999). Os sintomas da forma crónica ou lenta manifestam-se no interior do tronco ou ramos maiores, nos rebentos e ramos mais pequenos, nas folhas e nos cachos (figs. 4, 5, 6 e 7).

Figura 4

 

 

Figura 5

 

Figura 6

 

Figura 7

 

É necessário alertar para o facto de alguns dos sintomas atrás referidos não serem específicos destas doenças. Podem ser consequência de problemas fisiológicos, como a carência de magnésio ou o stress hídrico extremo. No caso particular da morte repentina das videiras (apoplexia), a sua origem pode ser devida ao fungo Armillaria mellea.

 

Actualmente, a melhor forma de combater e evitar estas doenças consiste na adopção das seguintes medidas preventivas:

 

1.     Utilização de material de propagação vegetativa certificado

2.     Eliminar todos os restos de raízes e plantas em terrenos destinados a novas plantações

3.     Realização de podas o mais tarde possível e em tempo seco e sem vento

4.     Podar as cepas doentes em último lugar

5.     Retirar do terreno todas as plantas doentes e restos de podas, queimando-os logo de seguida

6.     Evitar tanto quanto possível cortes com grandes superfícies

7.     Desinfectar e proteger os cortes de maior superfície com unguentos de enxertia

8.     Desinfectar o material de poda (tesouras) sempre que se mude de planta com lixívia a 5%

9.     Sempre que possível utilizar tesouras com dispositivos automáticos de distribuição de fungicidas e/ou desinfectante

 

O tratamento químico preconizado contra estas doenças é a aplicação de um produto à base de carbendazime+flusilazol (ESCUDO) sobre as feridas e cortes de maiores dimensões. Este tratamento preventivo, deverá ser efectuado com tempo seco, com a vinha no estado de repouso vegetativo e directamente sobre as feridas da poda, sem qualquer diluição.

 

 

Nos Açores as doenças do lenho da videira não são um problema novo nem actual, em especial na ilha do Pico. A Direcção de Serviços de Agricultura e Pecuária e o Serviço de Desenvolvimento Agrário do Pico, em particular, conhecem bem o problema e ao longo do tempo têm vindo a alertar e a informar os viticultores a não utilizar material de propagação vegetativa de videira (estacas ou varas, porta-enxertos e plantas já enxertadas) não certificado, que aliás é proibido por lei (Decreto-Lei n.º 194/2006, de 27 de Setembro, que regula a produção, controlo, certificação e comercialização de materiais de propagação vegetativa de videira).

 

publicado por Baco às 16:43
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Domingo, 10 de Fevereiro de 2008

Obama é o candidato dos nossos tintos

 Nos EUA, a lista de vinhos alinha-se pelas castas: cabernet, syrah, merlot... Ou se é de uma ou de outra. Os americanos, em vinho, são pelas decisões simples.

 

Como os mestres-de-obras portugueses são Mercedes ou Audi. Com o simplismo, os ianques escondem a ignorância, dizem--se do clube syrah como se é dos Red Sox desde pequenino.

 

A monocasta tranquiliza-os num domínio que eles, lá no fundo, sabem que só conhecem pela rama. Isso é mau para os nossos vinhos, que quando são cabernet são também trincadeira ou rabo-de-ovelha ou periquita. Vinhos portugueses são mestiços e nas listas dos restaurantes estão sob o título "Intriguing wines" (vinhos esquizóides)...

 

Só a mudança na América, tornando moda as misturas, nos salva. Só ela daria a ideia de que um vinho bom, mesmo, é quando junta uma casta do Kansas (merlot) e outra do Quénia (mourisco). Obama eleito ajudava a vender os nossos tintos.

 

Campanha do ICEP: "Se já o tem na Casa Branca, porque não na sua mesa?"

 

 

Ferreira Fernandes | Diário de Notícias | 04-02-2008

publicado por Baco às 15:02
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Sábado, 9 de Fevereiro de 2008

DOENÇAS DO LENHO DA VIDEIRA - Sessão de Divulgação

publicado por Baco às 10:53
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Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008

Definição

Vinho

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Vinho tinto e vinho branco

O Vinho (do grego antigo ονος através do latim vīnum, que tanto podem significar "vinho" como "videira" ) é, genericamente, uma bebida alcoólica produzida por fermentação do sumo de uva.Na União Europeia o vinho é legalmente definido como o produto obtido exclusivamente por fermentação parcial ou total de uvas frescas, inteiras ou esmagadas ou de mostos; no Brasil é considerado vinho a bebida obtida pela fermentação alcoólica de mosto de uva sã, fresca e madura, sendo proibida a aplicação do termo a produtos obtidos a partir de outras matérias-primas.

A constituição química das uvas permite que estas fermentem sem que lhes sejam adicionados açúcares, ácidos, enzimas ou outros nutrientes.Apesar de existirem outros frutos como a maçã ou algumas bagas, que também podem ser fermentados, os "vinhos" resultantes são geralmente designados em função do fruto a partir do qual são obtidos (por exemplo vinho-de-maçã) e são genericamente conhecidos como vinhos de frutas. O termo vinho (ou seus equivalentes em outras línguas) é definido por lei em muitos países.A fermentação das uvas é feita por vários tipos de leveduras que consomem os açúcares presentes nas uvas transformando-os em álcool. Dependendo do tipo de vinho, podem ser utilizadas grandes variedades de uvas e de leveduras.

O vinho possui uma longa história que remonta pelo menos a aproximadamente 6 000 a.C., pensando-se que tenha tido origem nos actuais Geórgia ou Irão.Crê-se que o seu aparecimento na Europa terá ocorrido há aproximadamente 6 500 anos, nas actuais Bulgária ou Grécia e era muito comum na Grécia e Roma antigas. O vinho tem desempenhado um papel importante em várias religiões desde tempos antigos. O deus grego Dioniso e o deus romano Líber representavam o vinho, e ainda hoje o vinho tem um papel central em cerimónias religiosas cristãs e judaicas como a Missa e Kiddush.

 

publicado por Baco às 10:37
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